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Do avesso

a leitura do cachorro doido

Realmente tenho sérios problemas quando começo a leitura de um livro. Uma ansiedade desmedida se apodera de mim e impede que eu, racionalmente e como a maioria da população normal, leia um livro do começo para o fim.

Irresistivelmente eu sempre SEMPRE dou uma espiada na última página ou nas últimas páginas e pronto. Toda uma expectativa em torno daquele final, toda uma cadeia de possibilidades, teses, teorias da conspiração e tudo o mais se formam e se fundem na minha cabeça.

Daí pra frente um poder incontrolável toma conta de mim e faz com que eu tenha vontade de devorar aquele livro em poucos dias, horas, minutos. No meio do dia, durante alguma tarefa sem a menor ligação com a história, lembro de algum detalhe ou de alguma fala que me faça entender e justificar o final lido de véspera. Sonho com o enredo, os personagens, sofro e vibro com eles, sinto raiva.

Sim, eu tenho alguma síndrome-maluca-de-não-sei-o-quê que me me impede de ler um livro como um ser mortal psicologicamente equilibrado. Isso deve ter algum diagnóstico clínico e já deve ter merecido algum estudo científico. Fato é que sempre, ou quase sempre, me decepciono antes do tempo.

E estou quase me convencendo de que isso não é exclusividade da leitura. Quantas vezes me peguei na internet caçando o final de filmes que eu ainda nem tinha assistido, mas queria saber de antemão se o final valeria o todo?

Mas voltando aos livros, essa mania tosca sempre foi assim e segue viva quando eu já havia cultivado esperanças de ter me tornado uma leitora normal. Após um longo estado vegetativo de falta de leitura, na retomada deste hábito saudável, mais uma vez cometi o pecado da falta de senso e li o final.

Li por uma série de motivos que pra mim são óbvios. Queria saber se o cara ficaria com a garota (o que seria totalmente falta de criatividade do autor, mesmo torcendo pra isso acontecer), queria saber o que eles estariam pensando lá no final da história, queria saber qual seria o grande desfecho e o mais importante: queria me convencer de que um fato broxante desanimador que acontece do meio pro fim era mentira.

a bola da vez no meu modo "alternativo" de leitura

O livro? Um Dia, de David Nicholls, que até já ganhou a versão para os cinemas. Sim, eu estou atrasada e o livro já foi assunto em todas as redes e blogs e já se tornou um dos top 10 de muita gente. E com razão. É uma puta história legal e merece o título. Só não faça como eu e leia do começo para o fim. Não procure spoilers, não faça buscas, não acabe com o prazer que é se deliciar com o não-óbvio de uma história, não mate o inesperado. NÃO SEJA EU.

Ah, e também leia com cuidado o que amigos escrevem em seus perfis, sites e blogs. Ou, se você ler alguma coisa que vai te deixar com muita, muita curiosidade, faça o máximo para não cair na armadilha. “Fiquei puto com a página 2232322”. Faça força e ignore. Desligue as máquinas e vá ler um livro. Seguindo a ordem numérica e cronológica, do começo pro fim.

 
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Publicado por em 30/01/2012 em ** palavras, sons e cores **

 

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Uma carta…

Antes era o medo. Medo do desconhecido, das ideias contraditórias, dos absurdos, do grandioso demais, do moderno demais, das palavras, dos cheiros, dos sons indefiníveis. Medo de me perder em você e não ter mais como sair. Medo de viver, de sentir sua loucura pulsando nas minhas veias. Medo de te respirar, de te anoitecer e amanhecer. Medo ou preconceito? Afinal eu não te conhecia, não tinha a mínima ideia do que você poderia mudar na minha vida.

Hoje você é o meu presente e o meu futuro. Em você eu me descobri e passei a acreditar em mim mesma. Levando porrada no dia-a-dia, sofrendo, batalhando, caindo e levantando. Aprendi a ver a vida de várias formas e formatos inimagináveis. Abri a mente. Conheci um mundo novo no qual luto todos os dias como outros milhares. E, ao contrário do que dizem, em você eu não sobrevivo, eu VIVO. Porque viver é sentir essa coisa louca que é você e se manter firme. É não se intimidar com a sua arrogância, a sua indiferença, o seu humor quase sempre cinza. Você se tornou a minha realidade e eu a sua.

Você pode ser o melhor, o pior, o baixo e o céu. Eu não ligo mais. Porque você é assim mesmo, sem meios termos. Quem for fraco, melhor nem se aproximar. Melhor continuar de longe, falando mal e te julgando. Eu sei e eles sabem, você nem liga. Você e esse seu jeito blasé que irrita a tantos. Talvez por isso eu tenha me apegado e aprendido a te amar. Porque eu quase sempre amo os anti-heróis, o avesso do avesso.

Os seus defeitos me incomodam, mas que não os tem? E amar de verdade é amar o todo. Os prós e os contras, mas sempre acreditando que um dia os defeitos poderão ser melhorados, amenizados. Talvez no dia em que você se juntar com uma turma legal as coisas mudem pra valer. Pra melhor. Bem melhor.

Dizem que você tem humor de mulher… Talvez seja por isso tão difícil te definir. Mas quem precisa de definições? Coisa mais chata ter que ter repostas e rótulos em tudo e pra tudo. Não, eu não quero te definir. Porque eu te amo assim São Paulo, exatamente do jeito que você é.

Lana de Oliveira, verão de 2012 em Santos

* Mesmo que tardio, o meu texto especial para a cidade que aprendi a amar na marra. Parabéns pelos 458 anos!

 
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Publicado por em 25/01/2012 em ** pessoas e lugares **

 

Sobre o fim…

Fim

Será que cheguei ao fim de todos os caminhos
E só resta a possibilidade de permanecer?
Será a Verdade apenas um incentivo à caminhada
Ou será ela a própria caminhada?
Terão mentido os que surgiram da treva e gritaram – Espírito!
E gritaram – Coragem!
Rasgarei as mãos nas pedras da enorme muralha
Que fecha tudo à libertação?
Lançarei meu corpo à vala comum dos falidos
Ou cairei lutando contra o impossível que antolha-me os passos
Apenas pela glória de tombar lutando?

Será que eu cheguei ao fim de todos os caminhos…
Ao fim de todos os caminhos?

Vinicius de Moraes

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Enquantos muitos preferem acreditar no papo furado de  que 2012 é o ano do fim do mundo, pra mim 2012 é o  ano do começo! Do recomeço…de colocar a casa em  ordem e voltar à vida normal que há alguns anos meio  que se perdeu em algum ponto do caminho.

Ano de voltar a ler, a ouvir, a ver, a falar e a sentir como  antes. Ano de reprimir toda e qualquer anulação e não  deixar que a vida se abata como tem se abatido  ultimamente. De sacudir a poeira e tirar as migalhas e  os restos dos outros que não agregam, não  acrescentam e não dizem nada.

É o ano da vida fluindo, tomando forma, coisas boas se concretizando e deixando sementes para muitos outros anos frutíferos. Tá na hora de voltar a acreditar no melhor das pessoas, no melhor do mundo, de ser uma pessoa melhor, de voltar ao ponto de partida.

É o ano do “egoísmo e do egocentrismo a dois”, de acreditar em tudo que vem de mim e por mim, ano do subjetivismo e das palavras. Ano de movimentar a roda dos projetos parados e criar movimento para novos projetos. 2012 é o ano de mudar o que não está bom, de trazer de volta as coisas antigas que nunca deveriam ter passado e renovar e reciclar o que não está bom.

Ano de mudanças positivas, ao lado das pessoas especiais. Ano de construção de um novo lar e renovação. Chega de mesmice!

 
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Publicado por em 19/01/2012 em ** palavras, sons e cores **

 

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